| 28.04.2009
Pododermatite
exsudativa com formação de fístula
completa em sulco central à espinha da
cunha nos quatro cascos de um eqüino. Relato
de caso
Kozemjakin,D.A.1; Manasses,E.L..3 ; Takachi,U.2&
Tonin,V.4
1
Professora Adjunto, Curso de Ciências
Eqüinas e Medicina Veterinária –
PUCPR – São José dos Pinhais-PR
2 Professor Assistente, Curso de Medicina Veterinária
– PUCPR – São José
dos Pinhais-PR
3 Hipologista / Enfermeiro Veterinário
– PMPR – Curitiba-PR
4 Capitão Médico Veterinário
– PMPR- Curitiba-PR
Resumo
– Este trabalho relata a ocorrência
de fistula completa em sulco central da cunha
à espinha nos quatro cascos de um eqüino.
Ao exame clinico foi observada atrofia das cunhas
e involução do sulco central nos
quatro membros. O animal não apresentava
reação dolorosa à palpação.
Em movimento (passo e trote) o animal não
claudicava. A avaliação citológica
das fistulas mostrou células epiteliais
queratinizadas e ausência de processo
inflamatório ou microrganismos. O RX
mostrou fístula completa em região
de tecidos moles, no aspecto plantar da região
do casco. A causa primaria provável do
processo foi infecção crônica
por microrganismos queratinoliticos, causando
infecção ascendente do sulco central
à espinha da cunha, com formação
de fistula completa.
Abstract
- This work report to occurence of fístula
complete in forrow central of wedge to spie
in four skull of a equine. To exam clinical
be observe atrophy of wedge and regression of
furrow central in four members. The animal no
present reaction painful to feel. In movement
the animal no limp. To evaluation cytological
of fístula show cell epithellium keratn
and absence of process inflammtory or microorganism.
The ex Ray show fístula complete in área
of textile sot. In cause primary probable of
process be infection chronicle for microorganism
keratin cause infection ascendancy of furrow
central to spine of furrow, with formation os
fístula complete.
(Palavras-chave:
casco, cunha, pododermatite, fistula completa)
Introdução
O
casco é a cobertura córnea da
extremidade distal do digito. Este é
dividido em três partes: parede, sola
e cunha (GUETTY, 1986). A afirmação
sem cascos, sem cavalo, repetida mundialmente
por séculos, mostra a importância
de cascos saudáveis. Patologias dos cascos
são as mais freqüentes na indústria
eqüina. Estas estão direta ou indiretamente
relacionadas à maioria dos casos de laminite
e claudicação. O’GRADY (2004)
cita que a pododermatite exsudativa úmida
está associada a condições
de higiene e limpeza inadequada dos cascos,
laminites, como também por falta de atividade
física, pois há um mecanismo natural
de limpeza dos cascos baseado na ação
do peso do animal sobre o membro com conseqüente
descida da terceira falange causando distensão
da sola. A descida da articulação
interfalangeal distal ocorre quando o osso navicular
toma a direção distopalmar pressionando
a articulação da bursa podotroclear
e tendão flexor profundo causando expansão
da cunha e sua aproximação do
solo. Esta constante mudança de conformação
da estrutura do casco quando do animal em movimento
previne o acumulo de sujidades na sola. Distúrbios
deste funcionamento mecânico de limpeza
dos cascos são associados ao aparecimento
de pododermatites mesmo naqueles animais mantidos
em excelentes condições sanitárias
e de manejo. PARKS (2004) e STASHAK (1987) citam
que pododermatites exsudativas úmidas
são uma condição degenerativa
da epiderme presentes no sulco central e lateral
da cunha, podendo se estender para a lamina
dermal causando celulite ascendente. Os mesmos
autores relatam que o diagnostico é clinico
com presença da lesão na cunha
geralmente sem laminite e pouca sensibilidade
a dor a palpação.
Metodologia
Animal. Eqüino, macho, castrado, X anos
de idade, utilizado para policiamento hipomóvel,
foi apresentado junto a Unidade Hospitalar para
Eqüinos PMPR/PUCPR com histórico
de hemorragia em sola após atividade
de rua. Ao exame clínico observou-se
a presença de abertura fistular inflamatória
e exsudato seborreico esbranquiçado e
opaco na junção palmoplantar caudal
do sulco central da cunha, medial aos bulbos
nos quatro membros (fig. 1). O animal não
tinha histórico de claudicação.
Após avaliação clínica
foi coletado exsudato com “swab”
para exame citológico, sendo então
observado que o mesmo fluía de uma fístula
profunda. O animal foi então encaminhado
para exame radiológico contrastado das
quatro úngulas (fistulografia). O exame
radiológico foi realizado com a passagem
de sonda uretral nº. 06, contendo ½
de contraste iopamidol.
Figura
1 – Abertura fistular inflamatória
e exsudato seborreico na junção
palmar caudal do sulco central da cunha.
Resultados
O
exame clinico mostrou lesão fistular
inflamatória e exsudato seborreico esbranquiçado
e opaco na junção palmoplantar
caudal do sulco central da cunha nos quatro
membros. Ao passo e trote o animal não
claudicava. A palpação dos quatro
membros o animal não mostrava reflexo
doloroso. Uma sonda uretral número 06
foi utilizada para avaliar a profundidade da
fistula, observando-se a saída da mesma
na região palmoplantar central ao sulco
central da cunha. A cunha mostra-se atrofiada
e com sulco central pouco evidente (fig.2)
Figura
2 – Atrofia da cunha e involução
do suco central
A citologia mostra grande número de células
epiteliais queratinizadas, sem presença
de microrganismos ou células polimorfonucleares
(fig. 2). O quadro citológico sugere
fístula verdadeira.
Figura
3 – Células epiteliais queratinizadas
O
exame radiológico mostra fístula
completa em região de tecidos moles,
no aspecto plantar da região do casco,
sem nenhuma alteração radiográfica
óssea evidente em terceira falange.
Figura
4 - RX
Discussões e Conclusões
Lesões fistulares podem ocorrer por processos
inflamatórios crônicos (COWELL).
Processos degenerativos ocorrem por infecção
com bactérias queratinoliticas em animais
submetidos a condições de pobre
higiene e umidade (O’GRADY, PARKS, STASHAK).
A causa primaria mais provável do processo
foi infecção por microrganismos
queratinoliticos, causando infecção
ascendente do sulco central à espinha
da cunha, com formação de fistula
completa em virtude de processo crônico.
A literatura consultada não cita a prevalência
da lesão num ou mais membros, mas MICHELOTTO
JUNIOR (2004), em comunicação
pessoal informa que a ocorrência é
em apenas um membro ou também em seu
contralateral.
Referências
GUETTY,R. Sisson/Grossman : anatomia dos animais
domésticos. 5 ed. V.1 Rio de Janeiro:Guanabara-Koogan,1986
O'GRADY. Background on thrush and the hoofs
self-cleaning mechanism. Disponível em:
<http://equipodiatry.com/thrush.html>
acesso em: 09 abr. 2004.
PARKS, A. H. Diseases of the Equine Foot. Disponível
em: <http://lam.vet.uga.edu/LAM/LM000065.html>
acesso em: 09 abr. 2004.
STASHAK,T.S. Adams’ lameness in horses.
4 ed. Philadelphia: Lea & Febiger, 1987.
POLLITT,C.C. Color atlas of the horse’s
foot. London: Mosby-Wolfe, 1995
Agradecimentos:
Regimento de Cavalaria Coronel Dulcidio da PMPR
Centro Veterinário da PMPR e Unidade
Hospitalar para Eqüinos da PUCPR (UHE)
Laboratório de Patologia Clínica
da UHE
Setor de Diagnóstico por Imagem da UHE
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